Qual é o perfil do cliente de crediário?

Qual é o perfil do cliente de crediário?

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Há quem pense que o crediário está ultrapassado com tantas formas de pagamentos, incluindo formatos mais tecnológicos e digitais. Mas engana-se quem pensa assim.

Pelo contrário, o crediário evoluiu junto com as transformações do varejo, possibilitando ferramentas e tecnologia de ponta às lojas para obter dados  necessários e fazer vendas seguras.

Além disso, entre os consumidores brasileiros, o crediário ainda é uma das modalidades de pagamento mais utilizadas. Dados do SPC Brasil comprovam isso mostrando que 3 em cada 10 brasileiros recorrem ao crediário para o pagamento.

Ao pensar sobre isso, surge uma grande questão: qual é o perfil do cliente de crediário? Quem são esses brasileiros que preferem a modalidade e por que preferem?

É isso que vamos detalhar neste post. Continue a leitura!

O novo cliente do varejo

O varejo, nos últimos tempos, tem passado por transformações. O novo cliente do varejo é mais exigente e super informado. Também é bem mais sensível aos preços, é imediatista e procura por incríveis experiências de compra – o que inclui as modalidades de pagamento acessíveis e processos rápidos e pouco burocráticos.

Além disso, começa um movimento do novo consumidor em busca de compras online – um efeito também da pandemia de COVID-19. A corrida em busca da migração para o digital chegou fazendo o e-commerce crescer mais de 40% nos últimos meses.

Para entender os hábitos de consumo dos usuários nesse universo digital, a Visa elaborou uma pesquisa separando os brasileiros em algumas categorias. Entre eles, os clientes ocasionais são aqueles que compram no meio digital de forma bastante esporádica e são a maioria, correspondendo a 51%. Já os super digitais, que são aqueles que tem preferência pelo modelo online, são apenas 10%.

Sendo assim, o formato digital é uma tendência, mas a preferência pelo físico ainda prevalece e evidentemente nada substitui o relacionamento pessoal com o cliente. A compra e o pagamento na loja física também continua sendo favorável por aumentar o fluxo de clientes.

E mesmo para quem vende no crediário a tendência do meio online não deve ser uma preocupação. O crediário digital oferece tecnologia de ponta para que a loja conte com mais essa opção de pagamento. Com isso, sem precisar abrir mão de receber na loja, o consumidor escolhe o que é melhor.

O ideal é que a loja conheça seu público e encontre as melhores alternativas para receber e fidelizar seus clientes. 

O perfil do cliente de crediário

A pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que três em cada dez consumidores (27%) utilizaram o crediário para fazer algum tipo de compra em 2017.

Esse mesmo levantamento mostra que as mulheres são as pessoas que mais recorrem à modalidade, correspondendo a 31%.

Além disso, as classes C, D e E são também as que mais compram no crediário (27%).

Saber disso já ajuda a entender um pouco mais a realidade varejista brasileira. Entretanto, ainda podemos ir mais a fundo…

Por que os clientes escolhem o crediário?

Dos entrevistados pela pesquisa do SPC, 26% apontam o crediário como uma boa opção de pagamento por permitir o parcelamento das compras.

Outros 22% enxergam a vantagem de poder fazer compras mesmo sem ter dinheiro e 21% buscam mais prazo para pagar.

Entre aqueles que compram com carnê, boleto ou cartão da loja, 38% disseram recorrer ao crediário por não terem condições de realizar a compra pagando à vista, em dinheiro.

Além disso, 17% aderiram à modalidade por não terem limite no cartão de crédito, 12% em razão da existência de pouca burocracia e 11% simplesmente para fazer mais compras.

Vemos uma relação clara do crediário à situação econômica do público. Vale pensar, então, nessa realidade: 66% das famílias brasileiras ganham até R$2034 por mês. 

E, entre a distribuição da despesa de consumo, de acordo com o IBGE, 4,3% vai para vestuário, e 3% para despesas diversas. Os maiores gastos estão na habitação (36%), transporte (18,1%) e alimentação (17,5%).

Desse modo, direcionando a renda às despesas necessárias, outros tipos de compras ficam limitadas e o crediário acaba se tornando uma excelente opção para garantir mais poder de compra aos clientes.

Mas será que só a realidade socioeconômica influencia? A resposta é não!

A pesquisa mencionada foi feita com 910 consumidores das 27 capitais brasileiras. Ou seja, todos esses dados refletem a realidade das capitais. Quando passamos a analisar o interior dos estados, isso muda bastante… 

Trabalhando com lojistas de diferentes contextos, vemos que o crediário está vinculado ao relacionamento entre cliente e loja, além de ser, em alguns lugares, até mesmo uma questão de status.

A questão principal: relacionamento entre cliente e loja também influencia

Existem muitos clientes que criam um relacionamento com a loja e com os vendedores, tornando-se amigos e gerando muita confiança. Como consequência desse relacionamento dotado de segurança, muitos deles também escolhem o crediário. 

Algumas lojas mais antigas, por exemplo, têm os clientes como verdadeiros amigos. Às vezes, são pessoas que passam por ali todos os dias no caminho cotidiano e mantêm o relacionamento com os vendedores.

Nesse contexto, muitos consumidores preferem o crediário, com um processo feito muito rapidamente, e depois voltam para pagar as parcelas rotineiramente, sem muita preocupação.

Em resumo, pode-se dizer que a escolha pelo crediário também é uma questão cultural. Em determinados contextos, os clientes escolhem essa modalidade de pagamento por conveniência ou pela amizade. 

Desta forma, as vendas a prazo continuam sendo uma opção excelente permitindo que as lojas vendam muito mais. O relacionamento com o cliente é o maior valor do crediário. E a experiência de compra na loja física ainda é a mais preferida e a maior no Brasil

Sabendo disso, é hora de começar a conhecer seu público e se adaptar ao novo perfil de cliente para continuar vendendo. Que tal começar por aqui? =)

Publicado por: Milton Goetten de Lima